5 dicas para escrever um artigo científico

Escrever academicamente é um esforço imenso quando se pretende criar um trabalho de real valor científico. As dicas deste post servem principalmente para os iniciantes, mas também contêm informações valiosas para aqueles que, mesmo já mais experientes, ainda enfrentam dificuldades na hora de escrever e produzir seus trabalhos.

 

A produção científica é muitas vezes indispensável na área da educação. Vemos muitos de nossos professores continuarem sua formação fazendo não apenas especializações lato sensu (ou seja, cursos de sentido mais amplo), mas também mestrado e doutorado, formações consideradas stricto sensu (ou seja, em conhecimentos específicos) em suas áreas de graduação ou na área de ensino. De qualquer maneira, uma formação continuada exige que o pós-graduando produza uma quantidade mínima de artigos e ensaios científicos como requisito para a conclusão de seus cursos. No caso de uma especialização, geralmente é exigida uma monografia ou ensaio científico. Para aqueles que entram no mestrado, além de diversos artigos necessários a serem cumpridos durante as matérias exigidas pelo curso, o título de mestre só é conquistado após um trabalho de maior fôlego, uma dissertação. Já no doutorado, a exigência com relação à produção intelectual é ainda maior: além dos artigos científicos que devem ser produzidos para cada matéria cursada, para se alcançar o título de doutor é preciso defender uma tese que realmente aborde e demonstre um problema científico original. Mas para começar a percorrer essa extensa estrada que é a formação científica de ponta em nosso país, é preciso ater-se à realização do mais simples: um artigo ou ensaio científico. Estas seguintes dicas podem auxiliar os iniciantes na produção científica, para a realização de um artigo ou ensaio que resulte num trabalho coerente:

  • Defina o problema: sobre o que você pretende pesquisar ou especular? Qual o problema, baseando-se na sua experiência e em seus conhecimentos, o que você considera interessante de explorar? Definir o problema a ser pesquisado é o primeiro dilema do pós-graduando ao deparar-se com a folha em branco que receberá um pouco de sua experiência e de seu conhecimento sobre determinado tema. Por exemplo, se você quer elaborar um trabalho sobre prática didática no ensino de uma língua estrangeira, pode ater-se a sua experiência em sala de aula sobre o assunto e argumentar quais formas de ensino são mais ou menos efetivas e os motivos para isso. Tudo aquilo que é escrito precisa ser justificado e demonstrado.
  • Faça uma extensa pesquisa bibliográfica sobre o tema: apesar de comum, de existirem diversos problemas ainda não explorados pela produção científica nacional, certamente existem outros trabalhos ou temas que podem convergir com o problema que você tentará abordar. Faça uma pesquisa bibliográfica sobre esse nicho de conhecimento e tente utilizá-los na elaboração do seu artigo ou ensaio. E não é necessário concordar com tudo que já foi postulado. Lembre-se: o que você escreve é aquilo que parte do seu conhecimento, da sua experiência e da sua visão de mundo. Por mais imatura que seja sua produção acadêmica, é preciso que você exponha a sua opinião e o seu conhecimento e não apenas reproduza ad eternum opiniões alheias. A produção de um artigo ou ensaio científico deve ser voltada para um conceito de criatividade e inovação, não apenas de repetição. Cruze suas opiniões, opondo-as ou ratificando-as de acordo com a bibliografia consultada, mas sempre ambicionando a criação de novos conhecimentos ou questões a serem exploradas no futuro.
  • Delimite o que será abordado sobre o problema de acordo com o tamanho estipulado para o ensaio ou artigo científico: às vezes, temos muito mais a escrever do que o tamanho estipulado ao artigo nos permite. Desta maneira, é importante primeiramente esboçar aquilo que será escrito, delimitar a estrutura do trabalho. Isso também serve para trabalhos de maior fôlego, como monografias, dissertações ou teses. Não se trata de tentar domar o poder da escrita e do conhecimento por ela produzido, mas de tentar procurar fazer de seu texto um todo coerente, de acordo com as limitações de páginas que lhe são impostas. Por isso, um esboço que estruture o trabalho é tão importante antes de iniciar a sua feitura. Isso evita frustrações ou incompatibilidades em sua finalização. Outra técnica possível é a de escrever livremente e depois ir cortando certas partes do texto que podem ser deixadas de lado e reaproveitadas em ocasiões posteriores. Mas para isso, é preciso planejar-se com relação ao tempo, sobre o qual falaremos na próxima dica.
  • Calcule o tempo para a produção de acordo com o seu ritmo de escrita: escrever é um trabalho cansativo e é um exercício diário, assim como uma atividade física para adquirir massa muscular, o aprendizado de uma língua estrangeira ou uma dieta para perder peso. Quanto mais você escreve diariamente, mais rapidamente é capaz de ter domínio sobre a o seu próprio ato de escrever. Por isso, uma dica valiosa para os iniciantes é: escreva todo dia, qualquer coisa, pode ser um diário de classe, suas ideias íntimas ou até um texto literário — apenas escreva. Com esse exercício, você será capaz de calcular o tempo necessário para produzir seu trabalho, seja a partir de uma escrita livre que mais tarde será podada, seja a partir de uma escrita sucinta baseada num esboço da estrutura do artigo ou ensaio científico, seja a partir de qualquer técnica pessoal que caiba à sua forma de escrever.
  • Deixe alguns dias para revisão final: estar em contato diário com o texto faz com que acabemos viciados nele e, mesmo depois de diversas revisões, podemos deixar passar certos erros ou incoerências, justamente por estarmos tão fixados naquelas mesmas palavras. Nem sempre é possível, mas o ideal seria que, após finalizar seu artigo ou ensaio científico, você dispusesse de pelo menos dois dias para deixá-lo quietinho na gaveta e retomá-lo posteriormente para uma leitura mais distanciada e descansada do esforço desprendido que foi produzi-lo. Também, você pode enviá-lo a um colega ou ao seu orientador para ajudá-lo nesse processo de distanciamento. O importante é colocar no cálculo de seu tempo de trabalho esses dias de descanso, para desvencilhar-se do vício textual e poder revisá-lo com maior sobriedade.
Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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