5 esclarecimentos sobre a escola sem partido

Continuamos às voltas com o debate sobre o projeto da escola sem partido. Por isso, esclarecemos 5 pontos mais polêmicos sobre o assunto, desmistificando alguns conceitos.

 

 

Já falamos aqui no blog sobre a proposta da escola sem partido que tramita no Congresso. Muitos consideram esse projeto uma espécie de retrocesso democrático para o Brasil. Também, concepções um tanto errôneas podem ser imputadas nesse debate, fazendo com que as pessoas se confundam com argumentos que não existem ou não se aplicam à realidade. No âmbito dos profissionais da educação, é unânime o repúdio com relação a essa ideia de escola sem partido, uma vez que o projeto, na tentativa de combater uma suposta dominação do pensamento de esquerda dentro de nossas escolas, acaba postulando apenas o pensamento contrário como forma válida de ensino.

Assim, podemos considerar a escola sem partido como um instrumento tendencioso de alienação, contraditório e que impede o pleno desenvolvimento dos estudantes.

Para aqueles que ainda não se convenceram da ambiguidade dessa proposta, seguem os aspectos mais polêmicos que a envolvem e os motivos pelos quais não se deve acreditar ser possível a implementação de uma escola sem partido.

  • O professor não possui um poder doutrinador: é muito comum vermos crianças que não estudam, que não se dedicam o suficiente às aulas e possuem comportamentos que diminuem seu rendimento escolar. Será que os professores dessas crianças são os que as convencem de não estudar direito? Muito provavelmente não. Todo professor incentiva seus alunos a dedicarem-se às aulas e ao conteúdo e nem sempre alcança esse objetivo. Como esperar então que ele possua tamanho poder doutrinador ao ponto de influenciar de forma coercitiva a visão de mundo dos jovens? Resumindo: o professor não possui tamanho poder.
     
  • O professor ensina, não doutrina: cada mestre segue um cronograma sério de conteúdos especificados pela escola, portanto, não passam o semestre “doutrinando” os alunos e sim, ensinando-os. Um professor não pretende se aproveitar da atenção que recebe em sala de aula para discorrer sobre suas preferências políticas, ele tem um trabalho a fazer, um trabalho muito sério que cria as bases para o futuro de nossa sociedade. Por isso, reduzir o professor ao papel de doutrinador político infiltrado na escola é um desrespeito enorme com relação a uma das profissões mais importantes que existem.
  • Mesmo que a política seja abordada, isso não significa doutrinação: se um professor comenta sobre algum aspecto político em sala de aula, isso não significa que ele está tentando persuadir seus alunos sobre seus pontos de vista, está apenas os expondo. Nenhum professor pretende imputar seus valores aos seus alunos, assim como nenhum chefe ou colega de trabalho faz isso. O professor ensina, apresenta diversas faces de um problema ou conceito. A partir daí, fica a critério do aluno escolher aquele que mais lhe representa.
  • O professor não pretende atravessar a moral ensinada dentro da família: não cabe ao professor interferir na moral e nos valores que o aluno aprende em casa. Ele sempre respeitará a opinião dos pais e da família antes de tudo. Mas é preciso frisar que o aluno também é um sujeito autônomo e, mesmo muito jovem, capaz de discernir opiniões e posicionamentos. Nenhum adolescente age por pura coerção, inclusive, a rebeldia é a característica principal dessa fase de nossas vidas. As ocupações de escolas que ocorreram no final do ano passado não foram confabulações de professores persuadindo alunos, elas partiram de uma necessidade sentida pelos próprios estudantes. Uma vez que isso aconteceu, cabia aos professores demonstrarem seu apoio.
  • O aluno precisa aprender a lidar com o diferente: proibir uma visão progressista dentro da sala de aula é permitir que apenas o conservadorismo seja pregado nas escolas. É um retrocesso e uma fantasia acreditar no projeto de escola sem partido. Não há nada mais ideológico do que essa proposta. Para haver democracia é preciso conhecer todas as faces do dado e seus lances possíveis ao acaso. Só assim o aluno poderá escolher aquele caminho mais coerente com suas crenças. Proibir uma determinada visão de mundo dentro da sala de aula é tirar do jovem seu direito de escolha. E isso nem a escola nem a família podem fazer.
Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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