Aprender é um processo complexo

Porque envolve a pessoa em todas as suas dimensões: cognitiva, afetiva e psicossocial.

 

A dimensão cognitiva está ligada aos modelos mentais que utilizamos para compreender e representar a realidade. Esse modelo mental é resultante da nossa forma de pensar, da maneira através da qual fazemos relações entre o que já sabemos e o que não sabemos ou não conhecemos. A dimensão afetiva se manifesta no processo de construção de sentido a respeito do que se está aprendendo. Quanto maior a carga afetiva com relação ao objeto de aprendizagem, mais intenso é o processo de produção de sentido. A própria expressão revela isso: construímos sentido através de nossa capacidade de sentir.

A dimensão afetiva da aprendizagem é a responsável pela qualidade do sentido que construímos com relação a tudo que aprendemos. A dimensão psicossocial engloba a natureza do meio no qual nos construímos, ou seja, os lugares em que vivemos, com seus elementos motivadores, as pessoas que os compõem com suas linguagens, valores e representações e engloba, também, o tipo de percepção que criamos sobre nós mesmos, a partir da autoconstrução que tivemos. Podemos ignorar símbolos, linguagens e valores que não tenham feito parte do nosso processo de auto formação. A dificuldade de entender um texto escrito ou um discurso composto por elementos estranhos ao meu mundo é um exemplo disso.

A aprendizagem humana implica, também, mudança em formas de comportamentos anteriores, o que, muitas vezes, se estabelece como ameaça, risco e perigo para quem aprende. O ato de aprender coloca em risco a identidade da pessoa que aprende e pode provocar medo e resistência, pois abala a segurança pessoal. Tudo o que somos, incluindo os sucessos que alcançamos, é em função do que aprendemos até o momento.

Toda nova aprendizagem, embora seja uma oportunidade de crescimento, também carrega em si um risco. O risco de não “darmos conta” do processo e não sermos bem sucedidos. É nessa faixa que o medo de aprender pode ganhar proporções ameaçadoras e dificultar ou até mesmo paralisar o processo de aprendizagem. Nesse momento, a ação motivadora e instigadora do professor é fundamental para impulsionar a “coragem de aprender”.

É, também, graças à necessidade da aprendizagem ser instigada que o processo de avaliação se torna tão necessário para que se aprenda. É ele que deve regular o ritmo e a direção do processo de ensino, além de promover a instigação necessária.

Estamos falando, entretanto, de uma avaliação mediadora e apoiadora da aprendizagem e não de um processo de julgamento e condenação, como ela tem se mostrado em nossas escolas nos últimos quinhentos anos. A avaliação, para ser considerada promotora de aprendizagens, precisa ser muito mais do que constatar o quanto se aprendeu. Ela precisa refletir sobre o porque do que não foi aprendido e promover a ação para que a aprendizagem ocorra.

Psicologo; Pedagogo; Mestre em Educação; Doutor em Ciências da Educação.
juliocfs@globo.com

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