Como mediar conflitos nas escolas?

Como solucionar e prevenir o bullying e outros conflitos possíveis dentro das escolas? A interação entre instituição, família e aluno é fundamental.

A escola, como formadora da cidadania, possui entre seus deveres o de fornecer à criança e ao adolescente o conforto necessário para resolver de maneira positiva os possíveis conflitos por estes vivenciados. Claro que seu alcance para isso é limitado, no entanto, é necessário que a instituição interfira de alguma maneira, de modo a oferecer o apoio possível, contribuindo para a superação e à orientação com relação aos problemas que possam também interferir no rendimento escolar e na formação individual de seus alunos. Entre os conflitos mais comuns — e que podem ser trabalhados pelo grupo pedagógico da escola — estão:

  • Bullying: termo cunhado em inglês e hoje popularizado, significa a violência escolar praticada de aluno para aluno, de forma muitas vezes velada e ignorada pelos funcionários da instituição. Contudo, cada vez mais há espaço para discussão sobre o bullying, de como esse tipo de violência pode ser prejudicial aos estudantes, não só aos que a praticam, mas também aos que sofrem suas consequências. Estes podem passar por casos de depressão, inadequação, timidez excessiva e falta de confiança. Já os alunos que a praticam, normalmente, passam por situações semelhantes dentro da própria família ou do meio social em que vivem, reproduzindo tal comportamento com os colegas de classe mais vulneráveis.
  • Conflitos em família: problemas familiares podem acarretar à criança ou ao adolescente a necessidade inconsciente da prática do bullying, como também a propensão a ser vítima. Geralmente, estudantes que não possuem uma vida familiar equilibrada, e sofrem algum tipo de assédio moral dentro de casa, tornam-se ou agressivos ou extremamente retraídos, respectivamente, os praticantes e alvos de casos de bullying.
  • Dificuldades psicológicas: as dificuldades psicológicas também estão relacionadas ao bullying. Um indivíduo que agride ou que se deixa agredir frequentemente possui um desequilíbrio emocional bastante complexo, que deve ser abordado e tratado dentro da escola com ajuda da orientação pedagógica. Também, há jovens que nem sempre possuem problemas em casa ou que sofrem casos de bullying, mas que apresentam indícios de doenças psíquicas que, costumeiramente, dão seus primeiros sinais durante a adolescência.

A partir dessas três categorias de conflitos mais comuns dentro das escolas, percebemos que todas estão relacionadas à prática do bullying. Não é à toa que tal problema ganhou este nome próprio de origem inglesa: é muito mais comum do que se imagina e bastante profundo, a ponto de a sociedade demorar décadas para perceber seus efeitos colaterais, que repercutem muito além do período escolar. Por isso, encarar o bullying como categoria fundamental de conflito dentro das escolas é fundamental. É responsabilidade de cada instituição tentar solucionar e atenuar tal problema, num trabalho conjunto com os alunos e as famílias. Também, a prevenção é essencial, não é preciso que o conflito aconteça para pensar-se nele, mas sim, é mais prudente tomar as medidas necessárias para preveni-lo.

Prevenindo o bullying
Desde os anos mais primários, os professores e orientadores pedagógicos precisam elaborar planos de trabalho que auxiliem as crianças a aceitar as diferenças entre seus colegas. Saber aceitar o outro é a primeira medida para ensinar o respeito. Quanto mais cedo essa ideia for internalizada pelos indivíduos, melhor. Em casos onde se observa uma interferência negativa da família, o ideal é oferecer uma orientação completa não só aos parentes, como também aos alunos. Existem barreiras que limitam o poder da escola em alcançar êxito com relação a uma mudança dentro do núcleo familiar, todavia, é preciso tentar e fazer a parte que lhe cabe. Trabalhos extraclasse com pais e alunos podem ser a melhor forma de prevenção. O pedagogo pode elaborar atividades recreativas e de aprendizado para serem aplicadas nos finais de semana ou após as aulas. Algumas dinâmicas de grupo, comprovadamente eficazes do ponto de vista comportamental, podem clarear a percepção da escola com relação aos problemas envolvendo pais e filhos, colegas de classe e, às vezes, até mesmo professores.
Mas são justamente os professores os primeiros a perceberem qualquer tipo de conflito, dentre as três categorias citadas, que podem estar ocorrendo com alguns de seus alunos. Assim, é essencial que a escola também invista na formação humana e psicológica desses profissionais. Está nas mãos deles a primeira atitude para combater qualquer tipo de violência escolar ou doméstica que possam perceber em algum de seus estudantes. O professor deve informar o caso ao grupo pedagógico e, em parceria, todos traçarão a melhor estratégia para intervir e buscar uma solução pacífica para o problema.
E por solução pacífica entendemos que cabe à escola a construção de um diálogo que abranja todas as partes envolvidas e permaneça neutra e justa na busca de soluções. Se a busca pelo diálogo e pela resolução de conflitos não for ensinada e nem praticada na escola, dificilmente será vivida em sociedade, tanto por seus alunos como pelas famílias a que pertencem.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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