Como vencer a dificuldade de escrever?

O papel aceita tudo, mas o leitor não. Escrever é uma prática que deve ser aperfeiçoada diariamente para que se possa produzir textos cada vez melhores. Dificuldade e bloqueio relacionados à escrita são dois problemas diferentes, mas muito comuns entre os estudantes e pesquisadores.

 

Trabalhos acadêmicos trazem consigo alguns fantasmas que assombram graduandos e pós-graduandos. Não, não é sobre as normas da ABNT que iremos falar, mas sobre problemas mais complexos, que atingem muitos estudantes e pesquisadores em algum momento de sua trajetória acadêmica: a dificuldade e o bloqueio da escrita. Apesar de ambos serem problemas relacionados ao ato de escrever, tratam-se de situações diferentes.

A prática de escrever
A dificuldade da escrita é um problema inicial, que normalmente advém da falta de prática em escrever. Graduandos, ao se defrontarem com a produção de um primeiro artigo ou de uma monografia, podem passar por essa dificuldade. Escrever é como um exercício físico ou o aprendizado de um instrumento, para se obter resultado é preciso treino, um treino praticamente diário. A leitura também é uma maneira eficaz de treinar a escrita. A aquisição de um vocabulário mais rico, de formações sintáticas mais complexas e de coerência textual começa a partir da leitura. Fora isso, ler também faz com que se tenha repertório. Tendo repertório, é possível uma concatenação lógica de ideias que geram problemas e que formam o objetivo de qualquer trabalho acadêmico.

O tempo necessário
Escrever bem também exige tempo. O papel aceita tudo, mas o leitor não. Não adianta deixar a redação daquela ideia para a última hora, pois o texto tem muitas chances de ficar ruim, desconexo e com erros. Escrever bem exige paciência, tempo e calma. Às vezes, de tanto tempo em cima de um mesmo texto, acabamos viciados em sua leitura e não percebemos mais suas incoerências. Nesses casos, o melhor é dar um tempo, um passeio, dormir uma boa noite de sono ou, se for possível, até deixá-lo na gaveta por alguns dias. Assim, a partir de um distanciamento temporal é possível reler aquele texto com mais clareza e descobrir a chave que faltava, a concatenação de ideias que não batia ou algum erro gritante, mas que passou despercebido.
O mesmo distanciamento é válido para a revisão final, aquela que pretende deixar o texto incólume de erros gramaticais e no formato adequado, obedecendo aos padrões da ABNT e de sua instituição de ensino. Também é possível e bastante produtivo pedir para que um amigo ou colega da área revise seu trabalho, pois o olhar do outro está normalmente menos viciado no texto. É para isso também que existem os orientadores, professores que indicam os caminhos possíveis e adequados para o seu trabalho.

O bloqueio da escrita
O bloqueio da escrita já é um problema diferente, ainda que também gere dificuldades em escrever. Normalmente, atinge estudantes mais experientes, que já estão numa pós-graduação strictu sensu (mestrado e doutorado) e enfrentam o desafio de desenvolver um trabalho de maior fôlego. O bloqueio da escrita geralmente é causado por variáveis psicológicas, tais como um certo sentimento de incapacidade diante da tarefa de produzir conhecimento, estafa mental, insegurança e, muitas vezes, pode até ser indício de depressão. O trabalho de um pesquisador é, normalmente, bastante solitário. Outro fator que contribui para quadros depressivos que geram o bloqueio é o pobre reconhecimento da pesquisa acadêmica como um trabalho diário e que demanda bastante esforço. Há certo desconhecimento da sociedade sobre a pesquisa científica no Brasil e suas áreas de atuação. O pesquisador é normalmente mal remunerado e seu trabalho dificilmente reconhecido.
Quando o bloqueio da escrita não for apenas um estado passageiro, mas um problema que esteja efetivamente afetando o trabalho e rendimento do pesquisador, cabe a ele procurar ajuda. Primeiramente, compartilhar a experiência com colegas e professores, procurar sua instituição de ensino e ver de que maneiras esta pode oferecer apoio. Nos casos mais graves, é necessário tratamento médico e psicológico. Cada vez mais, universidades de todo o mundo têm atentado para a incidência de quadros depressivos entre estudantes de pós-graduação.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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