A didática como parceria entre professor e aluno

A didática como processo neutro e efetivo de passar conhecimentos é insuficiente. Didática envolve também empatia, afeto e colaboração entre professor e aluno.

 

 

Didática é uma palavra de que deriva do grego e significa a arte ou técnica de ensinar. É um ramo da pedagogia que se ocupa das diretrizes efetivas de ensino que possibilitem a melhor aprendizagem do aluno, através dos meios utilizados pelo seu professor ao repassar o conhecimento. Quando nos lembramos daqueles professores que mais nos marcaram, geralmente levamos em conta, ainda que inconscientemente, a sua didática, como eles repassaram o seu conhecimento e nos cativaram com relação à matéria dada, fazendo com que sejam lembrados por muito tempo em nossas vidas.

Didática e empatia
Didática não necessariamente envolve empatia, mas é mais fácil ser didático através da empatia. Didática, em termos estritos, significa saber traduzir e repassar aquilo que se sabe ao outro. E traduzir, neste caso, representa um saber adequar o conhecimento maior à percepção e apreensão daquele que ainda não o sabe ou não o entende. Quando esse repassar de conhecimento envolve certa empatia e cativa o recebedor, necessariamente fica mais fácil ensinar. Por isso que toda relação de troca de saberes, de um modo ou de outro, é atravessada pelo afeto e, ainda que a didática em si possa ser efetiva sem o afeto, certamente, o ato de doar e de receber incita nessa relação sentimentos que vão muito além do que metodologias de ensino podem dar conta.

Existem vertentes tecnicistas da didática que dominaram as escolas durante as décadas de 1960 e 1980. Nesse contexto, ensinar partia de uma visada interpessoal, em que formar o aluno estava mais ligado ao simples repassar e reforçar conhecimentos, sem um envolvimento humanista. A didática era vista como uma técnica neutra, objetiva e racional que traria resultados mais efetivos para o processo de ensino. Porém, nos últimos trinta anos, essas vertentes foram superadas, ocorrendo uma evolução no processo de ensino e aprendizagem. A didática passou a ser vista como um processo de troca, de cooperação, afinal, não é só o aluno que aprende com o professor, o professor também aprende e muito com seus alunos. Inclusive, ele só pode aperfeiçoar a sua didática a partir da experiência em sala de aula. Como então reduzir a didática a um processo técnico e neutro quando a troca entre as partes se faz necessária? Essa visada que busca apenas a efetividade e o não-envolvimento entre professor e aluno parece um tanto incongruente.

Didática: uma parceria
Todo professor sente satisfação em repassar efetivamente seus conhecimentos aos alunos, mas, certamente, sente-se ainda mais satisfeito quando cativa a turma com relação àquilo que ensina e também aprende com ela. Didática é isso na prática: é uma parceria. Claro que técnicas para traduzir da melhor maneira aquilo que se tenta ensinar são positivas e geram resultados, mas essa tradução não pode ser isenta de uma abordagem humana que cada relação específica com cada turma de alunos — ou, até mesmo, com cada aluno individualmente — demanda. Por isso, cada nova turma, cada novo aluno, exige uma tradução, uma didática diferente que só se aprende no convívio, no dia a dia de troca e cooperação. Isso não se ensina ao professor por meio de métodos ou técnicas, ele aprende com cada um de seus alunos.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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