Diminuição do QI dos brasileiros: dúvidas e implicações

Pesquisa estrangeira aponta para a diminuição do QI do brasileiro no último século. Mas esses dados são 100% confiáveis?

 

Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Viena, o QI dos brasileiros baixou nos últimos 96 anos. O estudo abrangeu 31 países sendo que o Brasil foi o único que mostrou uma queda no quociente de inteligência nesse quase um século de intervalo. O primeiro lugar para a grandeza do QI ficou com a próspera Dinamarca, enquanto o último ficou com o Quênia. Para chegar às conclusões, os pesquisadores estrangeiros reuniram diversas pesquisas realizadas nesse intervalo de tempo em diversas regiões do Brasil. Uma delas, referente a Porto Alegre, no período de 1985 a 2004, encontrou uma queda de 0.04 pontos de QI por ano nessa cidade. Apesar da pontuação de queda não ser alarmante, a conclusão acaba sendo espantosa, uma vez que contraria o chamado Efeito Flynn, que postula como consenso na área de educação, que o aumento da renda e da qualidade da nutrição das crianças seriam indicativos diretamente ligados ao crescimento do QI.

Conclusões primárias
Portanto, numa visada primária desses dados, o Brasil teria ficado mais rico e bem nutrido, porém, com um QI menor. Essa conclusão parece incongruente. Especialistas acreditam que esse fenômeno seria explicado pela decadência da qualidade das escolas no período. Nisso estão contidos fatores sempre discutidos aqui no blog, como, por exemplo, a questão da violência e da formação dos professores. Enquanto a escola não possuir uma estrutura básica de segurança e acolhimento para seus alunos, o ensino tenderá a piorar e, por conseguinte, haverá uma queda no QI dos estudantes. Por outro lado, também é preciso analisar a metodologia utilizada na coleta de dados brasileiros pelos pesquisadores da Universidade de Viena.

Divergências de dados
Como exemplo, outra pesquisa utilizada é relativa à cidade de Belo Horizonte, no período de 1930 a 2004. Segundo esse estudo, haveria uma queda de 0.12 pontos de QI por ano nessa faixa de tempo. No entanto, alguns fatores sociais e econômicos que poderiam afetar os dados não foram levados em consideração: Belo Horizonte é uma cidade nova, fundada em 1897. Em 1930, grande parte das crianças e jovens que frequentavam a escola eram basicamente pertencentes ao seu perímetro urbano. Com o crescimento da cidade, áreas rurais foram incorporadas e, com isso, certamente houve uma queda nos números relativos ao QI justamente por escolas menores e mais afastadas terem sido incorporadas à jurisdição da cidade.

A falta de pesquisa em nosso país
De toda forma, não podemos levar a ferro e fogo os índices calculados por pesquisadores estrangeiros sobre a taxa de QI em nosso país. A verdade é que devemos confiar mais em estudos nacionais, uma vez que, de fora, diversos fatores sociais que afetariam os números podem ser deixados de lado tendo em vista que um pesquisador estrangeiro não possui o mesmo conhecimento regional de determinado espaço que um pesquisador brasileiro. Todavia, especialistas concordam que o Brasil não dá a devida atenção a esse tema. Faltam pesquisas direcionadas e que contemplem as macrorregiões do país. Assim, é preciso que nossos pesquisadores passem a enxergar a medida do QI de nossos alunos como um fator que possa contribuir para a melhoria de nosso ensino, apontando suas possíveis falhas. Um estudo nacional dirigido seria mais eficiente que uma coleta de dados passados e generalista feita por uma universidade estrangeira. É preciso atenção à medida do QI no país, pois esses números são importantes para desvendar nossos problemas educacionais e contribuir para a melhoria do ensino e da sociedade.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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