Dinâmica para interpretar textos em sala de aula

Fragmentar a unidade de um texto coerente e apresentá-lo em pedaços para que o aluno o recomponha é um exercício efetivo para ajudar os estudantes a interpretarem o que leem.

 

Sabemos de como são incipientes os resultados dos alunos brasileiros do Ensino Básico com relação à interpretação de textos. Para combater essa dificuldade, este post propõe uma dinâmica interessante de ser aplicada em sala de aula e que ajudará os estudantes a procurarem e construírem a lógica de um texto específico. Mais do que a mera leitura, que muitas vezes pode ser passada despercebida pela desatenção do aluno, quando este se propõe a construir o sentido do texto, o resultado passa a ser mais efetivo, pois, obriga-o a interpretar àquilo que lê e buscar a lógica entre as frases, ou seja, ela assume um papel ativo que deve ter em qualquer leitura e que parece ser a grande dificuldade de nossos estudantes. 

O método é simples: escolher um texto de qualquer gênero (literário, publicitário, jornalístico, etc.) e recortá-lo em pedaços, apresentando-os ao aluno seus fragmentos, sem a estrutura instalada. Por exemplo, peguemos um conto pequeno do escritor gaúcho João Gilberto Noll para ilustrar o procedimento:

A letra nua
Aos 20 anos, publiquei uns poemas. Fui autografar o volume na Feira do Livro de Porto Alegre, na praça da alfândega. Já sentado, um pouco antes de observar a fila inexistente ou a presença de um primo, meu único leitor, coisas assim… Perdão, ia me perdendo…. Pois pouco antes de se iniciar a tarde de autógrafos que não houve, notei certa mendiga a se banhar nua num pequeno lago da praça. Sim, debaixo de um copioso cântaro carregado por uma vestal de pedra. Era minha primeira mulher nua. Meses depois, abandonei o seminário. (Conto extraído da obra Mínimos, múltiplos contos)

Cabe ao professor recortar as frases que apontam para uma lógica temporal e ao aluno restabelecê-la. O exercício poderia ser apresentado ao estudante da seguinte forma:

Exercício: estabeleça a ordem das frases abaixo procurando uma lógica temporal que as encadeie de forma coerente:

  • Era minha primeira mulher nua.
  • Aos 20 anos, publiquei uns poemas.
  • Pois pouco antes de se iniciar a tarde de autógrafos que não houve, notei certa mendiga a se banhar nua num pequeno lago da praça.
  • Fui autografar o volume na Feira do Livro de Porto Alegre, na praça da alfandega.
  • Meses depois, abandonei o seminário.
  • Já sentado, um pouco antes de observar a fila inexistente ou a presença de um primo, meu único leitor, coisas assim… Perdão, ia me perdendo….

Com esse exercício, o aluno não só irá dedicar sua atenção a cada sentença recortada, como também procurará a lógica por trás delas que pode encadeá-las de forma coerente. É importante que, seja qual o tipo de texto escolhido, as frases recortadas façam sentido sozinhas, deixando pistas para que o aluno possa ordená-las. Assim, ele desenvolverá sua aptidão interpretativa e se fixará mais atentamente às tessituras que compõem qualquer texto bem executado. Isso o ajudará a também desenvolver sua coerência argumentativa. No caso do conto de João Gilberto Noll que utilizamos como exemplo, é o argumento temporal que rege a unidade do texto. Mas, com outros exemplos, há outros tipos de encadeamento que devem ser percebidos pelo professor. Por fim, quanto mais velho o aluno maior a complexidade do texto que pode ser utilizado nesse método de aprendizado.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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