Do prazer em ensinar ao prazer em aprender

Saul Neves de Jesus

“Professor, se eu não aprendo como tu me ensinas, ensina-me de forma que eu aprenda.”

 

 

As investigações realizadas em diversos países sobre a motivação dos alunos concluem que mais de metade não gosta de estudar, o que compromete o sucesso escolar.

Nos últimos anos tem aumentado o reconhecimento da importância da componente afetiva da relação pedagógica para a aprendizagem dos alunos.

Nesse âmbito assume particular relevância a motivação dos professores, pois só conseguimos ter alunos motivados, se os professores manifestarem prazer em ensinar.

O professor na sala de aula é um líder, pois procura influenciar os seus alunos para que estes se interessem pelas aulas, estejam atentos e participem, apresentem comportamentos adequados e obtenham bons resultados escolares. Para isso, tem que saber dar o exemplo em termos de motivação e de gosto por ensinar.

No passado, o processo de ensino-aprendizagem era muito normativo, sendo os métodos de ensino iguais para todos os alunos e, sobretudo, centrados no conhecimento. Atualmente, o professor deve procurar ir ao encontro dos interesses e da linguagem dos alunos, sendo flexível (de acordo com o provérbio “professor, se eu não aprendo como tu me ensinas, ensina-me de forma que eu aprenda”) e dando o exemplo (um líder não pode funcionar segundo o princípio “faz o que eu digo e não o que eu faço”).

 

Estratégias de motivação do professor em sala de aula

Para potencializar a criação de “laços” ou “pontes” com os alunos, bem como a motivação destes, os professores devem evitar o distanciamento, a neutralidade afetiva e o autoritarismo. Devem, ao contrário, fomentar uma relação de agrado, caracterizada pelo diálogo, pela negociação e pelo respeito mútuo.

Para além da importância de se mostrar entusiasmado pelas atividades realizadas com os alunos, constituindo um modelo ou exemplo de motivação para eles, o professor pode utilizar algumas estratégias de motivação nas suas aulas. Vejamos algumas:

a) deixar os alunos participarem na escolha das matérias e tarefas escolares, sempre que possível;

b) partir de situações ou acontecimentos da atualidade ou da realidade circundante para ensinar os conteúdos programáticos;

c) utilizar um ritmo de ensino adequado às capacidades e conhecimentos anteriores dos alunos, privilegiando a qualidade à quantidade de matérias ensinadas;

d) utilizar metodologias de ensino diversificadas e que tornem a explicação das matérias mais clara, compreensível e interessante;

e) ter confiança e otimismo nas capacidades dos alunos para a realização das tarefas escolares, explicitando-o verbalmente;

f) reconhecer e evidenciar tanto quanto possível o esforço e a capacidade dos alunos, não salientando tanto os erros cometidos por estes;

g) ajudar os alunos a aproveitarem o esforço dispendido nas tarefas de aprendizagem, através do desenvolvimento de competências de estudo, pois “mais vale estudar pouco e bem do que muito porém mal”.

 

Tem-se verificado que essas estratégias podem contribuir para uma maior motivação dos alunos na sala de aula, permitindo aumentar o seu prazer em aprender.

 

Sendo a motivação um fenômeno relacional, o prazer em aprender dos alunos vai repercutir no prazer em ensinar dos professores. Por isso é importante a criação de um clima de motivação na sala de aula.

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