Educação a Distância: de reprodutiva para reconstrutiva

Enquanto educadores conservadores discutem como serão as plataformas colaborativas do futuro, os alunos já colaboram entre si em comunidades estruturadas. A sociedade pós-moderna, globalizada e voltada ao conhecimento, traz com ela a inovação e construção de uma nova relação de ensino aprendizagem do aluno com o professor, orientador e tutor, principalmente na modalidade de Educação a Distância.

Como compreender o mundo com o olhar voltado para o futuro, para busca da conquista da autonomia intelectual do aluno, para que o mesmo tenha o domínio do pensamento dialético; com intuito de identificar às contradições nas questões pertinentes à sociedade em constante evolução e a compreensão da temática cultural?

No livro Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire, o autor faz indagações referentes a essa nova cultura de aprendizagem que faz com que professores construam o conhecimento junto com alunos. Para compreender essa evolução seguida de todas as dificuldades relativas à aprendizagem, seja como alunos ou como professores, é necessário começar por situar essas atividades no contexto social em que são geradas. Nesse contexto, o aluno precisa assumir como sujeito também na produção do saber.

Freire, nos fazem entender de que se deve trabalhar a dimensão reconstrutiva, ou seja, de que tudo se constrói. Se antes a aprendizagem era reprodutiva, agora ela passa a ser reconstruída. E isto não quer dizer que estamos passando por uma “deteriorização da aprendizagem”. Quer dizer que hoje se exige uma demanda por novos conhecimentos, saberes e habilidades.

Esses conhecimentos, saberes e habilidades estariam mais concretizados se ao longo da vida da formação do professor, desde quando era aluno na Educação Infantil até a sua formação universitária, houvesse a construção de uma atitude mais crítica em relação aos modos de ver, navegar, produzir e interagir por meio de uma aprendizagem autônoma, que teria como aliadas as mídias e as tecnologias presentes no desenvolvimento de uma competência mediática.

Entende-se por aprendizagem autônoma um processo de ensino e aprendizagem centrado no aprendente, cujas experiências são aproveitadas como recurso, e no qual o professor deve assumir-se como recurso do aprendente, considerado comum um ser autônomo, gestor de seu processo de aprendizagem, capaz de autodirigir e autoregular este processo.
Tudo isso é necessário analisar para que possamos compreender melhor o fenômeno dessa modalidade de educação que a cada ano ganha novos adeptos e ao mesmo tempo resistência, mas que, no entanto, com a divulgação de boas práticas vem vencendo os preconceitos no processo de mudança de paradigma.

Essa evolução nos faz pensar que o que antes era relevante continua sendo, no entanto tudo passou por uma nova maneira de ver a educação, ou seja, uma nova cultura do século XXI que deixou de ser reprodutiva para ser reconstruída. O que então é que muda? Muda culturalmente o que se aprende como também a forma como se aprende.

Brisa Teixeira de Oliveira - Personal Writing. Mestre em Educação e jornalista especializada em produção de conteúdo jornalísticos e editoriais na área educacional.  contato@brisateixeira.com

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