Entender como se Aprende para Aprender como se ensina

A aprendizagem é um processo interno

 

 

A princípio, essa afirmativa óbvia e despretensiosa contém reflexões essenciais para a compreensão de como de aprende. Para começo de conversa, temos duas importantes conclusões que resultam dessa afirmação: a primeira é que, sendo um processo, a aprendizagem não ocorre de uma hora para outra, não se realiza de forma imediata. É processual, precisa de tempo de maturação, tempo esse que não se mede pelo nosso relógio e sim pelo relógio de quem aprende. É, no entanto, no mínimo perigoso, “correr para adiantar a matéria”. Se for possível “adiantar a matéria”, é possível colocar “velocímetro e acelerador de aprendizagem” no aluno.

Podemos manipular o meio e favorecer os elementos que o compõem, porém, não podemos “pisar no acelerador” e fazer com que o outro aprenda mais rápido. Por ser interno, esse processo não se mostra observável na maior parte das vezes.

Aprendizagem não se resume à mudança de comportamentos observáveis, o que torna a avaliação dessa aprendizagem algo, no mínimo, subjetivo. Esse problema teria fim se, por exemplo, nossos alunos ficassem com a testa verde toda vez que aprendessem o conteúdo dado. Imagine a cena: “coordenadora, dei uma aula fenomenal! Todos os alunos estavam com a testa verde ao final da aula!”. Na ausência desse sinal objetivo que nos autorizaria a seguir em frente, temos que buscar compreender os sinais subjetivos para que possamos “enxergar” a aprendizagem do outro.

Para isso, temos a nossa disposição os instrumentos de avaliação, cujo objetivo é externar sinais que indiquem que houve aprendizagem.

Logo, dizer que a aprendizagem é um processo interno encerra duas questões essenciais para a compreensão do processo: aprender é fenômeno processual e subjetivo.

Psicologo; Pedagogo; Mestre em Educação; Doutor em Ciências da Educação.
juliocfs@globo.com

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