Resultados da última PNAD Contínua

A última PNAD Contínua, divulgada nesta semana, demonstra que desigualdades sociais afetam o acesso à escola. Além disso, a taxa de analfabetismo é maior entre pretos e pardos, assim como os anos de escolaridade. Longe de resultados positivos, ela demonstra uma necessidade urgente de investimento na educação.

Dados da última PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) foram divulgados nesta semana demonstrando os dados de analfabetismo e escolaridade no país. Segundo a pesquisa, existem 11,8 milhões de analfabetos no Brasil atualmente. Especificando esse número de analfabetos, ficam evidentes as desigualdades raciais dentro do país. Os 11,8 milhões de analfabetos no país representam 7,2% da população com 15 anos ou mais. Dentre eles, há uma prevalência de pretos e pardos, cuja taxa de analfabetismo é de 9,9%, enquanto da população branca é de menos que a metade, 4,2%. Foi a primeira vez que a PNAD Contínua especificou sua investigação por raça, demonstrando o que já era visível: os brancos possuem maior acesso à educação do que os negros.

Por faixa de idade, pode-se atestar que a taxa de analfabetismo é mais alta entre os idosos: cerca de 20,4% das pessoas com 60 anos ou mais são analfabetas, ou seja, 6,07 milhões de pessoas. Isso demonstra as deficiências de ensino que existiam no século passado e também converge para as diferenças raciais de acesso à educação. Dentre os idosos, a taxa de pretos e pardos analfabetos é de 30,7%, enquanto a de brancos é de 11,7%.

Também foram investigadas as desigualdades regionais no que concerne o analfabetismo. Mais uma vez as diferenças sociais entre as macrorregiões do país se refletem nas porcentagens relativas ao analfabetismo. Dentre a população brasileira com 15 anos ou mais que é analfabeta, o indicador da região nordeste é de 14,8%, enquanto na região sul esse índice é de 3,6% e na região sudeste de 3,8%. Isso significa que a desigualdade social acarreta uma desigualdade no acesso à educação.

Segundo os dados, a média de estudo do brasileiro é de 8 anos, o que equivale ao Ensino Fundamental incompleto. Brancos têm em média 9 anos de estudo, enquanto pretos e pardos possuem em média 7 anos de estudo. Lembrando que, para completar os ensinos Fundamental e Médio, um indivíduo precisa de 12 anos de estudo. A pesquisa também apontou que as mulheres são mais escolarizadas que os homens. Elas estudam em média 8,2 anos, enquanto os homens estudam 7,8 anos. No entanto, 26% delas desistem da escola por terem de cuidar de afazeres domésticos ou parentes, enquanto apenas 0,8% dos homens desistem dos estudos por essa mesma razão.

Contudo, alguns dados positivos também foram alcançados nessa pesquisa, como por exemplo, a universalização do acesso à escola por crianças de 6 a 14 anos de idade até 2016. De acordo com o IBGE, 99,2% das crianças dessa faixa etária estão na escola. Agora, é preciso investigar quais os motivos levam essas crianças e jovens a desistirem da escola e praticar medidas preventivas para evitar a evasão escolar, pretendendo à longo prazo reverter esses dados. Uma mudança significativa na educação do Brasil levará tempo, mas pelo menos, o número de crianças na escola entre os 6 a 14 anos de idade indicam uma possibilidade positiva de crescimento da escolaridade e erradicação do analfabetismo no Brasil à longo prazo.

 

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

RECEBA NOSSO CONTEÚDO EXCLUSIVO.