Governo brasileiro investe na educação, mas não em qualidade

Com investimentos públicos em educação acima da média, por que não conseguimos obter rendimentos positivos por parte de nossos estudantes, especialmente no Ensino Básico?

 

Um novo relatório feito pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) concluiu que o Brasil, apesar dos baixos índices de rendimento escolar, investe mais em educação do que muitos países desenvolvidos. Segundo a pesquisa, nosso país investe acima da média dos 43 países que compõem a OCDE, cerca de 16,2% dos seus recursos públicos são aplicados na educação, contra 10,3% de média entre as nações integrantes da organização e assim ganhamos a sexta posição no ranking. Por exemplo, o investimento do setor público brasileiro em educação supera os porcentuais de países como Coreia do Sul (14,5%), Dinamarca (13,5%), Noruega (13%) e Suíça (13,9%).
Mas então qual o motivo do baixo rendimento de nossos alunos se contamos com um investimento acima da média? O Brasil gasta 4,9% de seu PIB (Produto Interno Bruto — que conta toda a riqueza produzida no país) com a educação, a média em relação aos países integrantes da OCDE é de 5,2%. Tendo em vista esse dado, a conclusão a que chegamos é de que falta investimento por parte do setor privado. A maior parte do dinheiro destinado à educação é de origem pública e, por isso, as universidades federais e estaduais são as mais bem cotadas dentro do cenário nacional. A pesquisa científica está praticamente toda concentrada nas universidades públicas e resiste em função do dinheiro público, ainda que muitos cortes tenham sido feitos nos últimos anos.
No entanto, outro dado importante do relatório aponta para diferentes problemas: enquanto o Brasil aplica cerca de 3,8 mil dólares anuais por aluno do Ensino Básico, no Ensino Superior essa média quase quadruplica: 11,6 mil dólares anuais por aluno. Isso nos leva a concluir que há uma disparidade muito grande na formação de nossos estudantes. Menos recursos são destinados à formação elementar de crianças e jovens que, muitas vezes, chegam despreparados às universidades públicas, fazendo com que o alto investimento dado ao aluno de Ensino Superior seja um risco. Existem altos índices de evasão escolar em certos cursos de graduação, principalmente na área de exatas. O aluno chega sem o conhecimento básico, muitas vezes, por meio de cotas, e acaba desestimulado. Abandona o curso e joga fora todo o investimento público.
Mas não são os alunos a quem devemos culpar por conta dessa realidade incongruente, e sim, as políticas de gestão pública voltadas para educação. Não é preciso ser economista para perceber que há algo de muito errado com uma gestão que investe mais no Ensino Superior do que no Ensino Básico. Enquanto o Brasil não começar uma reforma educacional a partir das séries mais fundamentais, na busca de maior qualidade, o dinheiro aplicado no Ensino Superior sempre será um investimento de risco. Ademais, o setor privado também deve participar da formação educacional de seus trabalhadores e futuros trabalhadores, abrindo os olhos para isso. É um processo lento e de resultados a longo prazo, porém, parece que nenhum de nossos governos teve até hoje paciência para tal empreendimento, buscando sempre, resultados de cunho superficial que envolvem investimentos de alto risco.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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