A importância de uma construção ativa e integrada do conhecimento

O conhecimento se constrói em conjunto, pela troca de conhecimentos e ideias entre todos aqueles que frequentam a sala de aula e não apenas a partir de uma posição passiva por parte do estudante. Novas maneiras de abordagem e compreensão do aprendizado que extrapolem as tradicionais são necessárias para tornar isso uma realidade.

 

O conhecimento partilhado e incessante

Não é difícil perceber que, a forma como se dá o ensino tradicional em nossas escolas tem como enfoque principal o desenvolvimento cognitivo dos estudantes. E por desenvolvimento cognitivo nos referimos à apresentação e avaliação de conteúdos pré-estabelecidos de forma pouco instigante na relação de trocas interpessoais entre professores e professores, professores e alunos ou, até mesmo, entre alunos e seus pares. Atualmente, há muitos motivos para crer que uma formação completa do aluno dentro de uma escola não deveria ser apenas restrita à apreensão do conhecimento formal estipulado pelo programa pedagógico da instituição ou pelas diretrizes regionais e nacionais que determinam os conteúdos a serem ministrados. Uma formação completa, antes de seguir regras curriculares, precisa introduzir no estudante a ideia de que o aprendizado e a busca pelo conhecimento são funções incessantes e que nunca se esgotam, mesmo quando se conclui o Ensino Básico ou uma graduação.

Primeiramente, porque devemos encarar a escola não como instituição em que o conhecimento é apenas dado, apresentado, mas também — e principalmente — construído e compartilhado. Encarar o fato de que uma postura ativa com relação ao processo de aprendizado não é dever apenas do professor, mas também do aluno. E, para além disso, é muito preocupante pensar que a passividade do aluno com relação a apreensão de conhecimento pode criar problemas sérios no âmbito não só de sua formação, mas também, na maneira como ele concebe e exerce sua própria cidadania.

 

Pontos convergentes entre as disciplinas curriculares

Comecemos pelo fato das disciplinas dentro de um currículo escolar serem dividas e muitas vezes apartadas de suas inter-relações. Não basta apenas conteúdo, é preciso que este conteúdo seja também aplicado na construção do saber que busque uma sociedade mais igualitária. É preciso a união entre professores de diferentes matérias para convergi-las em seus pontos de encontro e, tentando desvincular-se das grades formais estabelecidas, criar brechas em que o conhecimento, normalmente ensinado em caixas diferentes, possa ser integrado e compartilhado entre os alunos.

O aprendizado construído em conjunto

Ademais, práticas de construção de conhecimento que possam ser realizadas em grupos e orientadas pelos professores em sala de aula deveriam ser mais utilizadas do que uma simples exposição do conteúdo que, em seguida, pretende ser fixada por meio de pequenas revisões ou tarefas de casa executadas de forma individual. É também interessante formular propostas extracurriculares de grupos de estudo específicos aos quais os alunos mais interessados pela matéria ou tema possam se reunir regularmente, debatendo e discutindo seus entendimentos mediados pela orientação de um professor especializado.
É pelo diálogo e pelo debate que se dá a construção do conhecimento e não através de uma postura passiva e, muitas vezes, resignada por parte dos alunos. Uma postura que normalmente vemos por aí, tal como encarar a escola como uma obrigação enfadonha e não como um ambiente para o crescimento pessoal, intelectual e emocional do estudante. Assim, uma construção ativa e integrada do conhecimento dentro das escolas só poderá ser alcançada a partir de esforços conjuntos que se atualizem frequentemente às demandas de aprendizagem de cada nova geração que ingressa no Ensino Básico.
Sempre ouvimos sobre a importância e da educação no Brasil e de como só ela poderá mudar o nosso país. Mas isso é dito há tanto tempo, que tal afirmação — de fato necessária para um futuro melhor — tornou-se esvaziada de um sentido verdadeiro ou de qualquer projeto de ação por parte de governos e instituições. Se fala muito em educação e se faz pouco ou quase nada por ela. Talvez iniciativas locais de professores, pedagogos e escolas possam ajudar a recuperarmos o tempo e a qualidade perdidos em nossa educação antes que ela seja de fato valorizada pela sociedade e pelo governo.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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