Medidas para prevenir a violência em escolas públicas

O cenário é alarmante e estamos longe de uma situação ideal. No entanto, medidas de preventivas para defender-se da violência que circunscreve muitas escolas públicas e diálogos são a única saída para começarmos a reverter esse quadro.

 

 

Durante as últimas semanas, fomos bombardeados com notícias, especialmente relacionadas ao estado do Rio de Janeiro, sobre como a violência vem se tornando parte do dia a dia das escolas públicas localizadas em zonas de risco dominadas por milícias de traficantes cujo poder é tamanho que até toques de recolher e determinações coercitivas para modificar o horário de funcionamento das instituições foram declarados. Além disso, roubos de equipamento, assaltos a professores e alunos e danos ao patrimônio público foram registrados nessas localidades. Claro que, num mundo ideal, a escola deveria ser parte constituinte e determinante para a comunidade que a circunda, um espaço de confraternização, acolhimento e difusão do conhecimento. No entanto, estamos longe desse mundo ideal e, infelizmente, diante de cenários perigosos como os que vêm sendo noticiados, é preciso que medidas de prevenção à violência em escolas públicas situadas em espaços perigosos sejam tomadas.

A coerção do toque de recolher

Em meados do mês de julho, uma escola localizada em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, recebeu a ordem de milicianos da região para encerrar suas atividades uma hora e meia antes do previsto, mudando o horário final de aula das 22h paras as 20h30. Lamentavelmente, em casos como esse não há realmente muito o que fazer. Desafiar o poder do tráfico que circunda a instituição pode pôr em perigo todos aqueles que a ela pertencem: alunos, professores, funcionários, assim como pais dos alunos que acabam indo buscá-los ao fim do dia letivo. Em casos extremos como esse, o ideal seria recorrer à secretaria de segurança municipal para que, de maneira pacífica, esta intervisse nas negociações com as milícias, de modo que ao menos a grade de aulas da escola fosse respeitada e os alunos pudessem tê-la como um local seguro de aprendizado.

Mudança de cenário através do diálogo partindo da escola

Não é em função da escola que o sistema social desigual e violento dessas comunidades irá mudar, mas através dela. Partindo da escola uma tentativa de negociação pacífica com tais milícias, pode-se assegurar pelo menos o respeito a este espaço de ensino e extensão que, ainda que a passos lentos, tem o poder de mudar o futuro da região. É nisso que nos resta acreditar. Desta maneira, um treinamento de negociação pacífica por parte de um de seus gestores pode ser a melhor saída para tentar entrar em acordo com a milícia vigente e melhorar as restrições que esta tenta impor na escola, onde, muito provavelmente, vários de seus integrantes estudaram. Só através do diálogo é possível garantir algum ganho e diminuir o medo que ir para a aula pode representar para alunos, professores e funcionários da instituição. Uma coerção como essa, se respondida de forma igualmente violenta, pode gerar ainda mais problemas. Por isso, a solução mais racional, ainda que não tão efetiva, consiste no diálogo e na negociação direta com aqueles que impõem a violência velada de um toque de recolher dentro da comunidade.

Medidas preventivas relacionadas a cada indivíduo

Mesmo vivendo em condições de perigo e violência iminentes como essas, talvez, como ato de resistência, os alunos e professores precisem continuar frequentando, na medida do possível e no limite de sua própria autopreservação, as aulas. Primeiramente, ir para escola apenas com o material necessário, sem itens de valor como celulares, notebooks ou vestimentas mais caras que possam também ser potenciais alvos de um assalto. Alunos podem formar grupos de resguardo, que vão juntos à escola, assim como os próprios professores. Andando sempre em grupos de pessoas, tornam-se menores as chances de serem assaltados. Assaltar uma pessoa sozinha é muito mais simples do que um grupo com um maior número delas. Professores podem combinar caronas solidárias, que seguem a mesma lógica de andar em grupos para diminuir o risco de roubos. Ademais, é também necessário que a escola se estruture para garantir a segurança interna de sua infraestrutura, ainda que computadores e demais equipamentos de maior valor tenham que ser diariamente levados para casa de algum professor ou funcionário, ou trancados em algum cofre. Todas essas medidas devem ser estabelecidas em função das condições reais e dos perigos iminentes à instituição.

Palestras dirigidas à discentes, docentes, pais e funcionários

Quando o quadro de violência ao redor ou dentro da escola é realmente preocupante, é preciso que sua gestão tenha em vista uma programação de palestras preventivas a alunos, pais, professores e funcionários sobre como se portar para tomar precauções sobre tais problemas. Através de uma atuação conjunta e sistemática de prevenção, a escola se fortalece e impõe-se sobre a violência que ocorre em seu entorno, demonstrando, assim, o poder seu poder inerente de transformação da sociedade através do ensino, do conhecimento, do diálogo e do aprendizado.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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