O Cérebro Digital e as leituras não-lineares

O texto que lemos na internet rompeu com a leitura linear. Nesse processo, leitura e escrita se mesclam na criação de um texto que varia de pessoa para pessoa. Ler no digital significa interação, uma escolha que fazemos tendo um leque de ligações, que são preestabelecidas para estabelecer novas ligações não previstas pelo autor. O resultado são narrativas pessoais.

Você já percebeu o quanto essa leitura realizada nos meios eletrônicos é diferente da leitura do espaço linear do material impresso? Pela tela do computador vamos estabelecendo as nossas próprias indexações e conexões, que estabelecem ideias e conceitos que vão se perfazendo por meio dos cliques que damos, estabelecendo nós e ligações.
Na internet é impossível estabelecer um critério de qualidade. Temos uma avalanche de informações, que vão desde o que chamamos de “empacotamento”, textos reescritos de materiais já prontos. Mas temos também notícias produzidas exclusivas para o meio digital. São reportagens que lemos na web com uma riqueza de recursos mediáticos como áudio, vídeos, infográficos, imagens.
Quanto mais rica uma notícia que lemos em um meio digital mais ela nos conecta por meio de informações que nos chegam de forma não-linear por meio de palavras, páginas, imagens, animações, gráficos, sons, entre tantos recursos possíveis de se explorar. Nesta viagem, ao navegar na rede, encontramos o nosso jeito de buscar a informação, por meio de textos relacionados, um complementando o outro.
Não temos mais começo, meio e fim. Decidimos por onde começar, por onde terminar. Não temos mais sequências estáticas e lineares. Por isso, o que antes era uma utopia, hoje torna-se realidade, jornais de grande circulação, estão cedendo espaço no meio virtual, e muitos, deixando de oferecer a informação linear, impressa. O leitor não que mais ser passivo no consumo da informação. Ele quer ação nesse processo, rapidez, características essas que farão ele assumir um papel ativo e tornando-se co-autor da informação.
O desafio fica com o produtor da notícia que vai permitir essa navegação sem começo, meio e fim. Utilizar todos os recursos das mídias digitais para criar o movimento do leitor com o texto o aproximando, criando vínculos que ele possa, além de ler, refletir, reescrever, atribuir significados, trocar informações, curtir, comentar compartilhar…
Assim, como fazemos isso na comunicação, a sua possibilidade cresce também no meio digital. Comparando a educação tradicional (presencial) com o jornal e a Educação a Distância com os portais de notícias on-line. Na Educação a Distância a leitura passa a ser não-linear. O aluno escolhe o seu percurso de aprendizagem, navegando por meio dos recursos mediáticos que o professor disponibiliza na material didáticos e nas videoaulas.
Percebemos, assim, novas formas de interação, novas e diferentes maneiras de produção de saberes e descoberta de conhecimentos, dentro e fora da escola. É importante integrar as potencialidades das tecnologias de informação e comunicação para que a mudança cultural se faça necessária para estabelecer novas articulações com o conhecimento.

Brisa Teixeira de Oliveira - Personal Writing. Mestre em Educação e jornalista especializada em produção de conteúdo jornalísticos e editoriais na área educacional.  contato@brisateixeira.com

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