O professor e sua prática docente

O êxito do trabalho do educador não está só em seu preparo didático, mas na forma como este profissional encontra o equilíbrio entre o improviso e o planejamento das atividades em sala de aula.

A abordagem sobre a prática docente não é uma tarefa fácil. São poucos os autores que se aventuram na reflexão e raros aqueles que aceitam o debate sobre a essência da docência. Mas a identidade do professor é marcada pela ação docente. O professor somente se faz professor na sua atividade que o dignifica: à docência se efetiva pela prática do professor na sala de aula, na medida em que ele assume a gestão de classe, do grupo e do conteúdo. Nesse sentido, o conteúdo de prática docente se aproxima do saber do senso comum. Isso leva que nós, professores, devemos tomar muito cuidado com a nossa atividade de professor. No conjunto das relações que estabelecemos, temos na sociabilidade humana uma dimensão educativa.

Nesta perspectiva, as relações sociais são pedagógicas. Daí a nossa responsabilidade em ter na docência a diferença que forja o saber docente, pois, os seres humanos também se educam nas instituições sociais. A família cumpre um papel de fundamental importância na vida das crianças. Portanto, o que diferencia a ação pedagógica dos pais da atividade dos professores em sala na escola? Os pais educam. Os professores educam. Mas a natureza e especificidade do ato educativo na escola é diferente da família, da igreja, do sindicato, do partido político e os movimentos sociais. É da responsabilidade dos professores o zelo pela docência como uma prática significativa. É próprio da docência, constitutiva da sua estrutura e propriedade enquanto tal um fazer prático. Nisso a docência carrega uma certa ambiguidade.

O domínio do processo didático não garante o acerto do professor na sua atividade na sala de aula. O planejamento é fundamental para garantir o sucesso da ação docente. Às vezes o planejamento em si não acontece tal qual como o professor planejou. Muitas são as variáveis que podem interferir no êxito da intervenção docente na sala de aula. Por isso a prática pedagógica do professor não pode ser limitada ao improviso, mesmo que este seja um relevante componente do trabalho docente, sobretudo porque a ação docente é uma prática que se forja nas relações humanas. Temos que considerar que nada mais incerto que o ser humano nas suas múltiplas determinações.

A escola, bem como a sala de aula, são espaços que são movidos por seres humanos que se fazem sujeitos das suas relações. Cabe ao professor saber trabalhar com as dimensões das relações de grupo e das relações pedagógicas. Entretanto, sob este ângulo, a docência é caótica. Pensar como iniciar uma aula e até mesmo chegar ao término, isso não faz o professor ter a certeza que o professor ter a certeza de que os alunos aprenderão.

Vale destacar alguns elementos que as pesquisas na área da educação têm revelado sobre as influências que tocam na aprendizagem dos alunos:

  • Escola organizada e gestão escolar comprometida com o pedagógico;
  • Clima institucional: ambiente escolar que permita o desenvolvimento da autoestima nas relações entre as pessoas e do aumento nível de satisfação dos que fazem a escola;
  • Equipamentos para acesso dos alunos e dos professores: biblioteca, laboratórios de informática, cinâncias e quadra de esportes;
  • Acompanhamento de frequência dos alunos;
  • Acompanhamento de aprendizagem dos alunos;
  • Valorização do trabalho dos professores.

O professor tem que ousar, mudar, transformar a si mesmo, virar sobre si, virar-se pelo avesso, alterando sua prática. A docência é transitória, contingente e fugaz. A docência não tem regras.

Para ser professor é suficiente assumirmos a nossa humanidade na sua radicalidade. Comecemos por tornarmos um ser humano bom.

Prof. Casemiro de Medeiros Campos

Faz doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará – UFC, é mestre em educação/UFC, professor, pesquisador na área de formação de professores, gestor e consultor em educação. Publicou pela Editora Vozes - Saberes Docentes e Autonomia dos Professores, 2ª. edição, 2009, e pela Editora da UFC - Educação: Utopia e Emancipação, 2008. Participou da organização dos livros lançados pela Editora da UFC - Gestão Escolar: Saber Fazer, 2009, e Da Teoria à Prática: A Escola dos Sonhos é Possível, 2010. Pela mesma editora é coautor do Ética e Cidadania: Educação para a Formação de Pessoas Éticas, 2010. Publicou pela Editora Paulinas, Gestão Escolar e Docência, 2ª. edição,2010 e pela Editora Melo Gestão Escolar e Inovação, 2010.

E-mail: casemiroonline@casemiroonline.com.br

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