O que significa “ser alguém na vida”?

Todo mundo já ouviu de alguém a máxima: “você precisa estudar para ser alguém na vida”. Mas será que o real significado de “ser alguém na vida” está claro dentro de nosso contexto atual? “Ser alguém na vida” não significa só dinheiro e status, é muito mais do que isso.

Infelizmente, a cultura vigente em nosso país não encara a educação como um esforço contínuo e praticamente inesgotável de aperfeiçoamento, mas como algo que você precisa fazer para que consiga melhores cargos ou salários, para que seja mais bem colocado socialmente e outros motivos que parecem realmente dispensar a essência real do que é educar e aprender.

“Ser alguém na vida”
Quando uma criança diz que não gosta de ir à escola ou que quer faltar aula, o discurso estereotípico que nos vem à cabeça é a figura de um pai ou mãe respondendo-lhe: “você precisa estudar para ser alguém na vida”. Porém, “ser alguém na vida” diz muito mais do que um bom emprego e um bom salário. “Ser alguém na vida” é muito mais do que alcançar uma boa colocação social ou ter poder de consumo. “Ser alguém na vida” é ser capaz de dar um valor à vida além daquele que nos é imposto cotidianamente pela cultura de massa, pelos modismos, pelos valores vigentes ou pela religião. “Ser alguém na vida” é ter a possibilidade de escolher quais valores são os mais adequados para guiar a nossa vida e não apenas tomar valores vigentes como fatos dados.

O preconceito do fato dado
A grande intolerância que assistimos crescer em nossa sociedade tem muito a ver com isso: ensinamos nossas crianças que certos fatores relativos são, na verdade, fatos dados e que, para “ser alguém na vida” elas precisam tomar esses fatos dados como fenômenos sólidos e imutáveis. Essas cristalizações culturais, na verdade, ocorrem desde sempre, desde que o homem é homem. Aliás, muito antes de o homem ser homem, pois, mesmo os animais possuem linguagem e normas de conduta dentro de seu grupo social específico. Mas, se buscamos a racionalidade, é preciso legitimá-la e não nos comportarmos como meras atualizações daquilo que é animalesco.

Em pleno século XXI vemos representantes políticos incapazes de relativizar ou de simplesmente respeitar conceitos diferentes dos seus. Vemos a ascensão de representantes extremistas que repudiam negros, pobres, mulheres, LGBTs e até mesmo a teoria do evolucionismo de Darwin. E esses discursos extremistas têm adquirido coro não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Não faz nem 100 anos que algo similar ocorreu através da liderança nazista e o desfecho todos nós conhecemos.

Construção do espírito crítico
Reconhecer na nossa história esses ciclos de intolerância parece ser algo construtivo para educarmos as novas gerações. Simplificando grosseiramente: “ser alguém na vida” é saber atribuir valor relativo a esta vida, ou seja, ter espírito crítico. Mas não um espírito crítico de rede social, não essa avalanche de opiniões que a internet nos apresenta todos os dias. Talvez, esta era — em que todos nós podemos e sentimos a necessidade de dar opiniões no Facebook, Instagram e similares — seja um indício de que o que realmente precisamos é aprender a construir nosso espírito crítico e não apenas criticar por criticar. No entanto, isso exige esforço, um esforço medido pela mesma régua daquele que nos garante a convicção de, realmente, “ser alguém na vida”: a educação.

Precisamos de espírito crítico o suficiente para reconhecer o que garante ou não uma democracia. O que vemos acontecendo em nosso país ultimamente certamente não representa isso. O que vemos em nosso país é um abandono da essência do que é a educação, qual a sua real função e a deturpação do que significa “ser alguém na vida”. Uma das primeiras lições sobre “ser alguém na vida” é ter a sensibilidade de entender que o outro também quer e tem o direito de “ser alguém na vida”.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

RECEBA NOSSO CONTEÚDO EXCLUSIVO.