Panorama da evasão escolar no Brasil

Os índices de desistência no Ensino Médio brasileiro são altos e custam caro aos cofres públicos. Investir no engajamento do aluno para continuar os estudos seria uma primeira medida para combater esse mal.

 

 

Segundo dados de uma pesquisa recente feita pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com o Insper, cerca de 27% dos jovens entre idades de 15 e 17 anos (2,8 milhões de alunos em números absolutos) não irão se matricular na escola no próximo ano porque resolveram abandonar os estudos ou em razão de uma reprovação neste ano. Além disso, o mesmo estudo concluiu que pouco mais da metade dos alunos matriculados no Ensino Médio da rede pública irão concluí-lo com no máximo um ano de atraso. Isso resultaria um desperdício de 35 bilhões por ano ao Estado.

O desperdício causado pela evasão
Cada aluno custa ao governo, durante os três anos do Ensino Médio, cerca de 12 mil reais. Porém, com o alto índice de reprovações e desistências, há um enorme desperdício que resvala em outras esferas da sociedade já que, ao abandonar a escola, o jovem está mais suscetível a problemas de saúde e danos causados pela violência. Pontuando esse problema de forma contábil, no fim, qualquer tipo de investimento contra a evasão escolar no Ensino Médio custaria menos do que o montante que cada aluno que desiste da escola de fato custa aos cofres públicos.
A pesquisa também identificou os motivos que levam os alunos a abandonarem a escola: problemas de acesso, gravidez e doenças, reprovações, desinteresse, inadequação à própria escola, trabalho e, permeando todos esses fatores, a falta de engajamento dos próprios alunos com relação ao ensino que recebem. Talvez, focando na questão do engajamento discente, como sugere a pesquisa, seria possível diminuir esses números com relação à evasão no Ensino Médio em nosso país.

O engajamento dos alunos
Um dos principais pontos com relação a esse engajamento seria o de que, ao chegar ao Ensino Médio, que tem o propósito de aprofundar os conteúdos vistos no Ensino Fundamental, o estudante sinta que não possui uma base necessária para tal, fazendo com que se desestimule e prefira encarar o mercado de trabalho. Contudo, a longo prazo, a tendência é de que um profissional sem o Ensino Médio e com conhecimentos deficientes do Ensino Fundamental acabe estagnando na carreira. Por isso, não só pelo bem individual do aluno, como também pelo bem da sociedade e do crescimento do país, é preciso desenvolver políticas de engajamento dos alunos para que não abandonem a escola. Decerto, as desigualdades sociais existentes fazem com que muitos sequer tenham outra opção.
O primeiro ponto a ser trabalho, em teoria, seria uma reforma do próprio Ensino Fundamental, de modo que o aluno não adentre o Ensino Médio e sinta dificuldades com relação à conhecimentos básicos que o desestimulam a continuar os estudos. No entanto, sabemos dos contratempos de políticas públicas voltadas para uma medida como essa, uma vez que, sempre no sentido inverso, nosso governo parece preferir reformar superficialmente as escalas mais altas do ensino do que mexer naquilo que realmente daria resultados concretos à longo prazo: os primeiros anos escolares. Na última década vivemos mudanças positivas no Ensino Superior e, no último ano, temos presenciado um projeto de mudança do Ensino Médio. Mas elas de nada adiantarão se os primeiros anos escolares não passarem por uma mudança efetiva.

Assim, a medida mais prática para incentivar nossos jovens a não abandonarem o Ensino Médio seria mesmo investir numa política de construção de engajamento com a escola. Infelizmente, teriam de ser tomadas atitudes remediadoras dos problemas existentes no Ensino Fundamental, como, por exemplo, aulas de reforço escolar, esclarecimento e motivação dos alunos, acompanhamento individual de cada caso. Ainda assim, esse investimento seria menor do que o desperdício que cada aluno desistente traz aos cofres públicos e à sociedade.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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