Por que é importante escrever todos os dias?

Escrever todos os dias significa treinar seu domínio sobre a língua e ser mais eficiente no uso das ferramentas que geram conhecimento. É um exercício contínuo e indispensável para aqueles que se propõe a isso.

Sempre que falamos aqui no blog sobre como produzir conhecimento científico ou ampliar o seu leque de saberes, acabamos caindo num mesmo ponto: o de que o ato de escrever é uma ferramenta determinante para essas atividades, além de um esforço de aprendizado, um treinamento contínuo que se aperfeiçoa apenas com sua prática regular. E sempre dizemos: escreva todos os dias para poder escrever bem e aprender mais. Todavia, qual o motivo de insistirmos neste argumento? Qual a importância real de escrever para a nossa carreira e por que dominar essa técnica é tão importante para professores, pesquisadores, estudantes e todos aqueles que estão sempre na busca de aprender e construir conhecimento?

Escrever é uma técnica. Essa afirmação parece bastante palpável para nós. Contudo, se voltarmos no tempo, podemos considerar escrever não só uma técnica, mas uma forma de tecnologia tal como aquelas que utilizamos diariamente. Se hoje podemos ter celulares, tablets e computadores que facilitam incrivelmente nossa vida e nossos estudos, isso se deve ao desenvolvimento da tecnologia. Mas este desenvolvimento só aconteceu porque antes, muito antes, surgiu o alfabeto. Sua origem é historicamente controversa, mas se estima que date de 2.000 a.C., no Egito. Antes disso, do estabelecimento de um sistema de regras e signos não pictóricos que se referiam à linguagem oral ou a uma linguagem específica, não haveria como sistematizar qualquer ideia, intenção, sentimento ou, até mesmo, comandos para um programa operacional de computador. Tudo existe por meio da linguagem e é ela a técnica que nos auxilia a produzir e difundir o conhecimento.

 

Dominando a língua
A língua é o meio pelo qual nós, humanos, difundimos nossas ideias e conhecimentos e aprendemos sobre as ideias e conhecimentos do outro. É a principal ferramenta que utilizamos para conhecer e conviver com o outro. Claro que existem outros tipos de linguagens que atravessam o nosso uso da língua durante a interação social, tais como a linguagem corporal, a cultura ou a lei: mas para atribuir sentido estrito a alguma coisa, qualquer coisa, é preciso que utilizemos de uma linguagem comum e, no caso das relações sociais, esse tipo de linguagem consiste na nossa língua vernácula.
Portanto, para sermos capazes de atribuir um sentido estrito ou minimamente entendível sobre alguma coisa, precisamos saber e conhecer a nossa língua. Agora, escrever é muito diferente de falar. “Falamos em nossas cabeças” quando escrevemos, mas os processos de transformar pensamentos em palavras faladas ou escritas são muito diferentes. Escrever torna essa transposição muito mais difícil para a maioria das pessoas. Por exemplo, quando oralizamos nossas ideias, contamos com outros recursos de significação como gestos e olhares. No entanto, no papel a coisa é diferente: conseguir um sentido estrito daquilo que está querendo ser posto exige que tenhamos domínio sobre a língua. E, esse domínio sobre a língua pode ser chamado de escrever bem. Não é à toa que volta e meia encontramos ambiguidades, metáforas e outras figuras de linguagem em textos, livros, revistas e jornais. O papel realmente aceita tudo. Mesmo quando falamos corremos o risco de sermos ambíguos, imagine então quando tentamos pôr nossas ideias num papel.

 

O ato de escrever como criação
Assim como aquele que fala mal em público passa a fazer um curso de retórica ou ensaiar previamente as suas palestras antes de apresentá-las, aquele que não domina a técnica de escrever precisa ensaiar direitinho as suas palavras para escrever algo bom. Isso pode variar de pessoa para pessoa, mas escrever é normalmente mais difícil do que ensaiar nossa retórica oral, já que escrevendo não dispomos de nosso corpo para nos auxiliar na atribuição de significado às palavras: dependemos apenas delas e de como as dispomos e as usamos em favor do significado que queremos formalizar no papel. Por isso que, para quem produz conhecimento, o ato de escrever todos os dias é tão importante: para construir um conhecimento interessante e relevante, precisamos da língua e, principalmente, precisamos saber dominá-la e usá-la a nosso favor, em prol da nossa construção específica de conhecimento, para que possamos ser inteligíveis para os outros e difundir aquilo que criamos.
Escrever também é uma forma de criar. E toda criação demanda esforço contínuo. Dominar a própria língua e as linguagens externas que a atravessam é também uma forma de criar. E toda criação demanda um esforço contínuo: por isso que é tão importante escrever todos os dias, para que tenhamos domínio sobre a língua, seus significantes e os significados que produz, para que possamos nos fazer claros com relação ao conhecimento que emana de nós mesmos e difundi-lo de maneira eficiente. Toda criação é também uma forma de construção do conhecimento.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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