Por uma releitura dos saberes da docência.

 

 

Diante da complexidade que nos apontam os saberes docentes, temos ao observar o professor na sua atividade em sala de aula elaborado uma interpretação da sua prática e daí sintetizado uma teorização. O campo da nossa investigação é a escola e nela buscamos capturar nos seus detalhes as relações entre as pessoas que a fazem, especialmente, os alunos, os professores, os gestores e os técnicos, todos em relação que constitui o trabalho docente. Tentamos também, apreender as relações no seu sentido mais amplo: a comunidade, os pais, compreendendo a escola e o contexto no qual está inserida. É nesse compasso que emergem os saberes dos professores, como eles tomam decisões e agem diante do inusitado. A sala de aula é uma caixinha de surpresas. Ali é um não-espaço em que estão presentes as representações de alunos e professores. A sala de aula é uma personagem nesse cenário.
Para investigar como surgem os saberes docentes, queremos entender as memórias, as lembranças, os segredos, os rituais que são próprios das práticas dos que fazem a escola. Ou seja, não basta compreender a escola em si, mas todas as relações que a entrecortam e a definem, assim, como o que faz e como faz a produção da docência pelo professor em sala de aula. Vamos garimpando, lendo e relendo, a atuação docente em sala de aula. Esse olhar produz questionamentos que movem respostas ao que se problematiza como a densa matéria a qual estamos a estuda-la. São as respostas a estas interrogações que vão construindo uma reflexão fruto da prática e da experiência de ser professor, a partir da sua atuação.
No âmbito da investigação temos que ter clareza sobre as evidências que forjam o saber-fazer docente, fruto da prática e do trabalho do professor. Os saberes docentes nos revelam que muito do que temos do ofício de ser professor, é aprendido por meio do exercício da docência, porém, há outras fontes dos saberes dos professores que não se fazem na prática, mas a pela prática. Portanto, outros saberes são desvelados durante a formação dos professores, seja na formação inicial, seja na formação continuada. Essa expressão que denota o que é ser professor através dos saberes docentes, para a sua validade, deve ser ancorado em algo que apresenta a docência nos seus fundamentos, para que possuam uma caracterização universal. Desse modo, nada mais original que se tenha, como uma fonte, ou melhor, na forma de como se pode apoiar numa interpretação da prática de ser professor por uma saber prático e próprio da experiência? Os argumentos de onde se retira o saber de ofício da vida de ser professor é podemos afirmar que se faz isso do diálogo que se trava entre o sujeito e a sua identidade de ser professor. Essa explicação somente é possível diante da constatação do que se convencionou denominar por cultura docente. Porém, uma cultura em transformação permanente.
No entanto, os saberes docentes não é um inventário de intervenções, mas é um conhecimento refletido e apropriado por uma dimensão cognitiva e empírica. O saber docente nasce da sua autonomia, da atitude reflexiva da prática de ser e agir como professor na circunstância da ação docente. Portanto, o saber docente é singular, constituindo-se de uma episteme que lhe é exclusiva, fruto da cultura de ser professor. É daí que se funda uma racionalidade pedagógica, como uma saber próprio de ser professor.
Mas como professores devemos nos mantermos atentos as transformações as mudanças que ocorrem na sociedade e nas instituições. A escola muda e as pessoas se modificam todos os dias. Desse modo, temos que acompanhar as alterações no mundo da pedagogia. Mas devemos ficar alerta para a nossa sensibilidade para o humano, pois, a docência é carregada de sentidos, afetos… emoções. Na relação que se pauta a docência o professor aprende a ser professor com o aluno. Por assim dizer, podemos afirmar que os alunos são os mestres dos professores. A essência da docência está na discência. Sem o aluno não existe o professor. Portanto, é necessário que o professor se conheça muito bem como pessoa, para realizar um trabalho que leve ao aluno a se encontrar como pessoa. É nesse encontro entre a docência e a discência que se projeta a natureza da educação escolar.

Prof. Casemiro de Medeiros Campos

Faz doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará – UFC, é mestre em educação/UFC, professor, pesquisador na área de formação de professores, gestor e consultor em educação. Publicou pela Editora Vozes - Saberes Docentes e Autonomia dos Professores, 2ª. edição, 2009, e pela Editora da UFC - Educação: Utopia e Emancipação, 2008. Participou da organização dos livros lançados pela Editora da UFC - Gestão Escolar: Saber Fazer, 2009, e Da Teoria à Prática: A Escola dos Sonhos é Possível, 2010. Pela mesma editora é coautor do Ética e Cidadania: Educação para a Formação de Pessoas Éticas, 2010. Publicou pela Editora Paulinas, Gestão Escolar e Docência, 2ª. edição,2010 e pela Editora Melo Gestão Escolar e Inovação, 2010.

E-mail: casemiroonline@casemiroonline.com.br

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