Problematizando a dependência de tecnologia

O tempo todo com o celular na mão, extasiado com as opções e facilidades da tecnologia? Esse é o retrato do jovem atual. Mas apesar do conforto que os avanços tecnológicos nos trazem, é preciso também problematizar os efeitos de sua dependência.

 

Com a rapidez com que navegamos pelo mundo através da internet, a maior velocidade de acesso à informação e ao conhecimento, parece que cada vez mais o nosso instante presente se prolonga, levando nossa percepção a diferentes espaços e tempos à distância de um click. Cada vez mais informações estão disponíveis em tempo real e podemos saber sobre o que acontece do outro lado da cidade ou do mundo com bastante facilidade. Podemos nos deslocar pelos espaços guiados por aplicativos de celular, escolher o que comprar ou o que comer a partir das diversas opções que temos dadas à mão continuamente. Tudo parece mais fácil do que há 10 ou 20 anos atrás e isso torna a nossa vida mais confortável. No entanto, essa predisposição de escolhas e opções pode gerar também problemas.

Pensemos nas novas gerações, que já nasceram com essa nova forma de viver e perceber o mundo. Para eles, a velocidade e a variedade de opções já são coisas naturalizadas. O contato com o diverso, com o desconhecido e com as notícias de última hora fazem parte de seu dia a dia e não chega a surpreendê-los. Contudo, muita informação pode criar um estado de ansiedade contínuo, como também uma espécie de superficialidade do aprendizado, fazendo com que sempre se saiba um pouco sobre muita coisa, mas nem sempre se saiba muito sobre determinados assuntos.

A ansiedade de saber e a possibilidade de saber imediatamente parece ampliar o tempo presente. Agora, neste instante, você pode estar lendo este texto e dando uma olhada em outras abas do seu navegador, que contêm assuntos totalmente diferentes. Pode também estar com a TV ligada e com o celular nas mãos. Sua cabeça se ocupa de diferentes assuntos ao mesmo tempo. Mas, e daqui a algumas horas? Você ainda será capaz de lembrar daquilo que leu, pesquisou, comprou, escolheu, curtiu, ouviu, assistiu? O quanto de toda essa informação seu cérebro é capaz de deter quando se ocupa de tantos novos conhecimentos ao mesmo tempo?

Então, imagine como deve ser esse tipo de processo para aqueles indivíduos que, desde cedo, aprendem a ampliar o seu tempo presente, variando ao máximo as informações que procuram num mesmo dado momento. É importante frisar que essa espécie de método de aprendizagem e percepção do mundo não foca na apreensão qualitativa de conteúdo, e sim, quantitativa. Será esse mesmo o caminho correto para que nossos jovens se formem intelectual e profissionalmente? Mesmo com tantas facilidades que a tecnologia nos traz, não deveríamos enfatizar a importância da dedicação e do esforço para apreender o mundo de forma mais completa, nem que leve mais tempo e exija mais esforço?
Uma das cenas mais tristes que podemos presenciar atualmente é ver um grupo de jovens ou uma família reunida numa mesa de restaurante, compartilhando uma refeição sem compartilhar a atenção, cada um vidrado ferozmente na tela de seu celular. Por que será que agimos assim? Será que a facilidade com que obtemos novas informações e entretenimento não está nos privando de nós mesmo e do contato com o outro? Essa tendência pode agravar-se? Como será então a relação das novas gerações com a tecnologia — uma dependência ainda mais forte? E que problemas esse tipo de relação com a máquina pode trazer às relações humanas?

Cabe à escola tentar quebrar esse ciclo de dependência que muitas vezes sequer é problematizado pela família. Não podemos deixar que as novas gerações cresçam alienadas e socialmente defasadas. O vício em tecnologia faz com que fechemos nossos olhos para o que acontece à nossa volta, centremo-nos demais naquilo que apenas nos dá prazer ou que nos influencia, impedindo de refletir não só sobre nós mesmos, mas também sobre os outros.

Quantas vezes vemos crianças fazendo birra porque estão sem celulares e tablets ou jovens que sentem como se tivessem perdido um membro quando se encontram na mesma situação? Precisamos nos atentar para os perigos sociais, mentais e de aprendizado que a dependência muito forte com a tecnologia pode acarretar. Voltar para o bom e velho livro, para a escrita à mão e para as relações interpessoais cara a cara pode ser uma espécie de método para restaurar o equilíbrio na relação de nossos jovens com o mundo.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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