Professor: profissão baseada na reflexão

Ser professor é muito mais do que instruir, é doar-se e participar da construção do futuro. Por isso a importância da reflexão nessa profissão: é ela que forma indivíduos de valor.

Tudo aquilo que não aprendemos sozinhos, precisamos adquirir durante a vida para que sejamos grandes cidadãos. E é a educação que nos ensina a dar sentido e desenvolver as nossas faculdades de maior valor. Tanto a educação provinda da família, como aquela apreendida e exercitada na escola são parte integrante dessa formação necessária a todo indivíduo. A educação é a reconstrução, a reorganização da experiência particular, adicionando a ela significados que ampliam a capacidade de cada um de conduzir seu próprio destino e criar um futuro promissor. No âmbito escolar, aquele que promove essa construção de saberes e idoneidade é o professor.

O fazer e o pensar sobre o fazer
Portanto, esse é o profissional que constrói conhecimentos, valorizando o fazer e o pensar sobre o fazer. Por isso, a ideia do professor como autoridade que demanda uma relação de obediência e submissão é atualmente inadequada. O modelo autoritário de professorado nasceu no final do século XIX em escolas prussianas de vertente militar. À época, segundo o modelo ocidental, o professor era o porta-voz de um ideal pedagógico instruído para desenvolver cidadãos no modelo estipulado pela pedagogia predominante, baseando-se na ação e na instrução. No entanto, desde então, a relação professor-aluno passou por diversas mudanças positivas, assim como a concepção do que é uma escola. Esta é nada menos que o espaço de acolhimento de uma comunidade, de conformação do pensamento e construção da cidadania.
Então, a reflexão tornou-se conceito chave dentro da relação escola-comunidade e, mais especificamente, dentro da relação professor-aluno. Ainda existem vertentes pedagógicas tecnicistas e, em alguma medida, a atual reforma do Ensino Médio, que temos vivido nos últimos meses, propõe-se a isso. Mas, é inegável que os anos de avanço que criaram uma visada mais humanista dentro da prática de ensinar reduzam esse novo modelo de ensino técnico a um simples processo de instrução e ação. A própria formação do professor e as matérias pedagógicas obrigatórias nas graduações faz com que cada profissional que se gradua tenha uma tendência reflexiva no ato de ensinar, avaliar e relacionar-se com seus alunos.

Ensinar é muito mais do que repassar o saber
Deste modo, pode-se considerar o professor como um profissional reflexivo, que a cada aula deve ponderar a instrução e adequar suas abordagens técnicas junto de um potencial humano cada vez maior. Inevitavelmente, a relação professor-aluno é atravessada pelo afeto, pois, ensinar é muito mais do que repassar conhecimento, é uma forma de doar-se, de enxergar-se no outro e construir um futuro melhor para esse outro. A prática pedagógica é transpassada por diversos sentimentos que vão muito além do simples instruir e coordenar o uso prático. E todo professor ciente de sua escolha profissional sabe disso. Não há nada mais gratificante do que assistir o desenvolvimento de seus alunos, de saber que cada conquista deles também se deve pelo menos um pouco àquilo que aprenderam na escola, a cada mestre que passou por suas vidas. Por mais que o professor seja, atualmente, tão desvalorizado e mal pago, esse tipo de satisfação nunca poderá lhes ser tirado. E é isso que faz os verdadeiros professores seguirem em frente: a vontade de promover uma sociedade mais reflexiva sobre seus problemas, sobre os saberes e o papel de cada um no mundo.

Texto produzido pela equipe da Futuro Eventos.

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