Confira a entrevista com Eduardo Shinyashiki para a 27ª edição da  Revista Aprendizagem, palestrante com o tema: “Estratégias Vencedoras: Atitudes e Ações que Transformam Desafios em Conquistas.”

1) A tecnologia permite-nos o fácil acesso à informação e ao conhecimento, e apenas repassar o conteúdo de ensino em sala já não basta. Como o professor deve agir para estimular o aluno para uma aprendizagem mais significativa?

É verdade, a escola compete com mídias altamente dinâmicas e criativas. Logo, é importante envolver os alunos por meio de atividades  tão interativas quanto as que são oferecidas aos estudantes quando estão do lado de fora da escola. É preciso fazer com que eles se sintam fazendo parte de algo grandioso e que estão sendo preparados para algo (ver…) maior. Nesse sentido é que surge a necessidade de elaborarmos contextos que simulem os futuros desafios desses alunos e, novamente, a visão do gestor empreendedor se faz presente. Ele precisa representar para os alunos o passaporte para o futuro.

2) O uso de ferramentas tecnológicas em sala estimula alunos e professores para novas aprendizagens. Até que ponto esse dinamismo pode interferir nas práticas educativas?

Pode interferir quando as ferramentas tecnológicas são utilizadas como “mais uma ferramenta”, que apenas se soma às tradicionais. Isso pode levar à superficialidade em relação aos conteúdos abordados e a uma carência nas relações interpessoais.

3) Os recursos tecnológicos apontam para uma sociedade cada vez mais integrada e interativa. Que conselhos daria para as escolas que devem hoje orientar os alunos já inseridos nessa realidade?

Estimule o uso equilibrado da tecnologia. Isso possibilitará mais socialização entre os alunos, além de estreitar o seu relacionamento com a escola e trabalhar significativamente a sua autoestima.

4) Os jovens das gerações Y e Z são tidos como dispersos, que não retêm o foco (seria retêm mesmo… ou mantêm?) , e podem estar sujeitos a falhas de aprendizagem. Como os educadores podem auxiliá-los a obter melhores rendimentos?

Muito se fala de uma “geração do videogame,e é exatamente sobre esse julgamento que gostaria de abrir uma reflexão. O que faz com que esses jovens se sintam tão atraídos, atentos e focados nos videogames, na música eletrônica dos tipos house ou tecno e em tantas outras tecnologias e não se sintam da mesma forma pela aprendizagem dentro da escola? Será que a atual estrutura das aulas é desmotivadora e não dá conta de expressar um sentido maior? Essa geração requer mais atenção e criatividade associadas a uma integração no sentido do que se está fazendo. Por isso, é chegada a hora de desafiá-los, no bom sentido, a viverem uma dimensão maior deles mesmos.

5) Nas escolas, convivem alunos de diferentes faixas etárias e formas de encarar o mundo. Como o educador pode interagir com eles e propiciar ambientes de desenvolvimento intelectual e social?

Além do conhecimento, o embasamento quanto à Ética e à Cidadania também é papel dos educadores. O professor é, antes de tudo, uma pessoa que trabalha com outras pessoas para a formação de cidadãos. As diferenças não podem ser escondidas ou evitadas, já que por meio delas podemos chegar a muitos aprendizados. Sabe-se que o Outro é capaz de gerar em nós aquilo que não conseguiríamos alcançar sozinhos, extrair pensamentos e ideias que não surgiriam de outra forma a não ser pela interação.

6) Desse convívio social percebe-se, principalmente nas escolas públicas, o desinteresse do aluno, a intolerância às diferenças e mesmo violência contra colegas e professores. A que se devem esses comportamentos negativos e como reverter esta realidade?

Grandes referências da Pedagogia nasceram justamente pelo fato de defenderem uma postura transformadora em sala de aula, que gere engajamento de seus alunos na construção de uma realidade mais justa e digna. Sabemos que muitos alunos têm realidades difíceis, mas é preciso que o educador saiba apresentar oportunidades e apoiá-los na construção de seus próprios caminhos. Como disse, o Outro pode gerar sensações e estimular nosso pensamento a alcançar ideias e conceitos que fugiriam da nossa percepção se estivéssemos sozinhos. Mais uma vez é importante ressaltar a reflexão constante sobre temas ligados à Ética e à Cidadania, envolvendo os alunos de forma ativa e protagonista.

7) Por mais que se fale em melhorias na educação, muitos professores encontram-se atrelados a sistemas de ensino pouco motivadores para a realidade que enfrentam. Como romper com essa situação para incorporar métodos mais eficazes de aprendizagem?

Inevitavelmente por uma autorreflexão sobre o papel docente na vida e na consolidação do sentido para vida e a missão de seus alunos. É importante que os educadores tenham acesso a capacitações que incentivem o uso de novas ferramentas para colocar a criatividade e inovação no cotidiano da sala de aula.

8) Como valorizar o aluno se muitas vezes são os educadores que estão desestimulados devido ao estresse diário da rotina escolar?

Essa é uma questão séria. Sabemos que os professores precisam de melhores condições de trabalho, como salários compatíveis aos de países desenvolvidos e espaços para aulas diferenciadas. Enquanto a sociedade busca essas melhorias, os educadores devem tentar ao máximo deixar os problemas para fora dos muros da escola. Afinal de contas, o estresse de sua rotina não irá gerar efeitos positivos na vida dos estudantes, pelo contrário, apenas dificultará o caminho do compartilhamento e geração conjunto do conhecimento.

9) Muitas vezes, os pais nas suas atribuições, não conseguem acompanhar o amadurecimento dos filhos. Como é possível reverter esse quadro, considerando que a família continua sendo a principal referência para os jovens?

Ter um filho é uma grande responsabilidade. A família é um sistema vivo, em contínua mudança e transformação, pois os contextos mudam, os filhos crescem e os pais também. Então, cada um deve fazer a sua parte como elemento participativo desse sistema.

Como base, é fundamental um terreno de amor, afetividade, cumplicidade, intimidade e respeito entre os membros da família. A comunicação e o diálogo são dois pontos fundamentais e comunicar não é só transmitir informações, mas também dividir emoções, sentimentos e energia.

Importante também é a flexibilidade em se colocar no lugar do outro e ver a realidade com os seus olhos. (seria os olhos dele, com seus ficou ambíguo…) Lembre-se: a construção da realidade é diária e subjetiva.

10) Quais são as características dos jovens das novas gerações e quais os interesses profissionais deles?

Os jovens das novas gerações são altamente tecnológicos, ousados, acostumados à realização de multitarefas, ambiciosos, despojados e questionadores. Por conta de tudo isso, procuram seu espaço em meio a uma “nova ordem” que está se estruturando: um mercado de trabalho multigeracional, cujas necessidades variam de forma vertiginosa. Esses jovens têm acesso a todas as inovações e conhecimentos advindos da era tecnológica e cresceram num ambiente privilegiado proporcionado pelos (aqui há p…p…p… e repetição do som ado, formando rima) seus antecessores.

11) O mercado de trabalho está preparado para receber as diferentes gerações como a Y e Z?

As novas gerações encontram organizações em processo de reestruturação e ainda buscam formas de absorver e melhor usufruir dessa nova gama de potencialidades. Uma vez que um fenômeno com implicações significativas está ocorrendo no universo corporativo: quatro gerações estão convivendo no mesmo espaço, com uma diferença entre elas que pode superar os 40 anos.

12) Como consultor organizacional, quais as dificuldades e soluções que observa nas empresas que buscam integrar os jovens nos seus quadros de colaboradores?

Nesse contexto, é importante ressaltar que esse mix poderá trazer ótimos resultados se as distintas competências forem captadas e integradas em prol de um mesmo objetivo. Dessa forma, resultados eficazes serão atingidos gradativamente. Uma equipe de jovens, por exemplo, pode dar vida nova a tarefas antigas, ao mesmo tempo em que aprendem sobre o seu funcionamento com os mais experientes.

Para que tudo isso aconteça, é preciso que alguns pontos sejam muito bem trabalhados: comunicação, atitude e comprometimento. As novas gerações precisam saber utilizar as outras características positivas de gerações passadas, como a perseverança e a relação de apego profissional.

13) O caminho para a educação brasileira de qualidade é longo e incerto. Qual o seu ideal de uma escola para o futuro?

Nesse futuro, formado pelo presente, a educação confirma alguns de seus objetivos importantes:
•    Interligar em maneira complementar a instrução teórica e fortalecer o       discernimento do aluno, para unir conhecimento e reflexão, a elaboração e a capacidade de síntese.
•     Interligar o conhecimento com uma educação orientada à compreensão das diferenças, à tolerância, à solidariedade e aos valores humanos. Falar de presente e futuro na educação significa, cada vez mais, compreender a relação entre as gerações para criar pontes entre as diferenças.
•    Interligar a instrução teórica com o autoconhecimento para que o aluno se reconheça como agente de mudança assumindo suas responsabilidades individuais e coletivas, desenvolvendo competências emocionais. Assim, poderá colocar em prática os conhecimentos, o aprendizado e terá a oportunidade de criar e viver o seu projeto de vida.

Autor: Eduardo Shinyashiki
Entrevista concedida para a Revista Aprendizagem, edição 27.

Confira a programação completa da Educar 2012

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